SÓ PARA COMPLICAR
Gostaria de entender as razões pelas quais: 1) veículos 2010 são vendidos em abril de 2009; 2) os para-lamas traseiros de determinadas marcas de automóveis não escondem a totalidade da banda de rodagem dos pneus, fazendo com que, em períodos chuvosos, água e lama sejam jogadas no para-brisa e no capô do veículo que segue logo atrás; 3) Tiradentes foi enforcado em virtude de sua revolta contra a cobrança do quinto (20%) pela Coroa portuguesa, enquanto a atual carga tributária no Brasil chega a quase 40%; 4) caminhões pesados continuam circulando livremente por todos os bairros e Centro de Goiânia, inclusive em horários de maior movimento no trânsito; 5) o goianiense usuário do transporte coletivo paga tarifa maior que o paulistano, o curitibano, o ...., o ......., etc; 6) o número de semáforos em Goiânia mais do que dobrou de 2004 até hoje; 7) aplicar as penalidades previstas na legislação sobre campanhas eleitorais é tão difícil nos dias de hoje; 8) grande parte da população brasileira acredita em tudo o que ouve; 9) o maior mágico brasileiro consegue iludir o público com simples palavras; 10) não aparece um outro mágico para conter as tarifas e os juros bancários; 11) demorou-se tanto para falar dos cartões corporativos e despesas do Executivo federal, enquanto o Legislativo permanecia (e permanece) por meses alvo das críticas; 12) em algumas casas comerciais o preço de um produto para pagamento à vista é igual ao do parcelamento em dez ou 12 meses; 13) o cidadão portador de doença grave não consegue o medicamento necessário, conforme lhe garante a Constituição, e, caso não o obtenha por outros meios, ou seja, pagando do próprio bolso (se puder), pode ir a óbito em decorrência da desatenção dos responsáveis...
Fico por aqui, pretendendo competir com Ruy Castro e Carlos Heitor Cony em tamanho (apenas tamanho) de texto.
(ARTIGO PUBLICADO NO DIÁRIO DA MANHÃ, DE GOIÂNIA, EM 30.ABRIL.2009)
SPONHOLZ
Data: 25-04-2009 |
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O GORDO, O BOI E O BURACO
Parece que o Gordo da Praça Tamandaré decidiu manter contatos mais frequentes com este seu amigo. Logo na quase madrugada deste último domingo toca o meu celular e, ao atender a chamada, convenci-me que o meu prezado esférico não perdeu a mania de ligar a cobrar. Como tenho por ele a maior consideração, evidente e imediatamente perdoei-o por ambos os pecados: o de me acordar e pela ligação a cobrar.
— Meu dileto jornalista, você poderia me dizer o que significa “o boi está no buraco”?
— Não seria “a vaca foi para o brejo?”
— Não. É mesmo “o boi está no buraco”.
— Bem, Gordo, poderia imaginar uma porção de coisas, como, por exemplo, alguém avisando que um de seus incontáveis bovinos, provavelmente nelore, caiu em alguma depressão.
— Espere aí, meu amigo. Que depressão é essa? Depressão significando uma parte de um terreno em nível inferior ou depressão pós-eleitoral?
— Ë claro que a primeira, Gordo. Este ano, sem eleição, é um período de euforia. Uma euforia talvez demais precoce e exagerada para uns e outros.
— Mas, se o autor da frase pretendesse atingir alguém, quem seria esse alvo, ou melhor, o boi?
— Olhe, Gordo. De bicho eu entendo muito pouco. Entretanto, há um – não me lembro bem qual e de que espécime – que morde e sopra, sopra e morde.
— O que você quer dizer com isso?
— Quero dizer que há pessoas que, diante de outra, vivem soprando, ou, caso queira, bajulando. Depois, na ausência, dão suas mordidas, ou, também caso queira, Gordo, dão suas estocadas, fazem suas críticas e pretendem se mostrar acima de todos e de tudo.
— Espere um pouco, prezado jornalista. O meu telefone fixo está chamando. Deve ser retorno de um colega seu.
Aguardei alguns minutos e o Gordo voltou a falar comigo:
— Eu não disse? Quem me ligou foi um de três de seus mais competentes colegas de profissão para quem telefonei, fazendo a mesma pergunta que lhe fiz no início deste nosso diálogo: o que significa “o boi está no buraco”.
— O que eles disseram?
— Todos os três não entenderam o que o autor da frase quis dizer. Mas, nessa última chamada, seu colega me disse que a nora, cujos pais são ligados às atividades agropecuárias, ouviu a conversa que ele e eu tivemos anteriormente e lhe contou que, quando os peões dizem que o boi está no buraco referem-se à necessidade de sacrificá-lo, pois já não serve para mais nada. Nem mesmo sua carne.
— Poxa, Gordo. Aí o problema fica mais sério, caso o autor da frase pretendesse atingir alguém em especial.
— É verdade.
— Seria uma atitude relacionada a algum tipo de vingança, Gordo?
— Pode ser. Porém, imaginar que as duas últimas eleições vencidas foram mais importantes que as duas anteriormente perdidas é, como você mesmo disse, uma euforia exagerada e precoce. Isto, mesmo que os seguidores do imaginativo cidadão estejam fazendo de tudo para criar uma divisão entre seus adversários tradicionais e acreditam que conseguirão seu intento.
— Tem razão.
— Olhe aqui. Como você vive dizendo por aí que eu desligo o telefone sem me despedir, até logo, tchau, estou indo, fuiiiiiiiiiiiiiiii....
E o Gordo desligou. Acho que ele anda envolvido com as sites de relacionamento na Internet.
OBSERVAÇÃO - Esta observação não constou no artigo publicado no jornal. Está aqui inserida para permitir aos leitores que não tomaram conhecimento da declaração "o boi está no buraco" e de seu autor, o prefeito Iris Rezende Machado, de Goiânia, tenham uma informação mais completa.
(ARTIGO PUBLICADO NO DIÁRIO DA MANHÃ, DE GOIÂNIA, EM 23.ABRIL.2009)
SPONHOLZ
Data: 23-04-2009 |
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DE MARLI GONÇALVES
O LADO DA PORTA DO BANHEIRO
Marli Gonçalves*
Dependendo do lado, do momento e da necessidade, muda a visão e o tamanho de um problema. Igual na vida. Isso faz lembrar a importância e o valor da espontaneidade, para que não percamos o rumo. Nem a felicidade.
A vida busca ser explicada pelos mais diferentes ângulos, um deles a porta do banheiro. Quem está dentro pode não querer sair. E quem está fora quer entrar. Ninguém conseguirá jamais entender a complexidade da alma humana. Parece dramática essa afirmação, mas é verdadeira. Precisamos apenas admiti-la, para continuarmos a busca pela felicidade, o alvo. O estado de espírito, que é - ou, sei lá, deve ser - a felicidade.
Outro dia um amigo, motorista cuidadoso, reclamava para mim que o trânsito estava muito agressivo, que na rua todo mundo parecia estar com muita pressa, e o que é pior, de chegar só até o outro quarteirão. E parar. Como acontece em São Paulo, faróis em todas as esquinas, trânsito parado para tudo que é lado. Buzina, primeira, acelera. Sai. E para. Anda um pouquinho e pára um poucão... Não adianta ter pressa, mas muita gente nem entende isso. Descarrega as tensões e os não-tesões na buzina. E anda. E para. E anda. E para. E pira. E piora tudo.
Ao mesmo tempo lembrei-me que, no dia anterior, ao contrário, eu estava trabalhando e com muita coisa para fazer, em vários locais. E todo mundo na minha frente parecia ter combinado: estavam de férias, passeando, fazendo turismo, olhando vitrines de dentro dos carros. Bem devagarzinho. Que ódio. Que inveja!
Aí veio a história da porta do banheiro: um minuto não é nada para quem está dentro, e é um tempo interminável para quem está fora. Achei simplesmente genial como conceito. Genial. Simples, assim.
Eu já tinha gasto outros tantos minutos a pensar sobre o crédulo e o ingênuo. Nem todo crédulo é ingênuo e todo ingênuo é totalmente crédulo - a conclusão. Cara ou coroa. Pif ou paf. Viver ou morrer. Branco ou preto. Sim ou Não. Na vida tudo é muito dialético, não tem talvez. Para ver o mundo você tem de estar sempre de um lado da porta. A atriz pornô Marilyn Chambers, encontrada morta misteriosamente, famosa por sua interpretação realista em Atrás da porta verde, que o diga. A vida dela foi sempre do lado de lá, com alguém espiando pelo buraco. Algum buraco.
Matutando um pouco mais, me ocorreu a importância da espontaneidade, a verdade mais límpida e absoluta do ser humano. Cada vez mais rara.
Sempre sofri muito com meus próprios repentes de espontaneidade. Já beijei e abracei rabinos ortodoxos, já falei palavrão diante de bispo. Foras de todos os naipes. Já abracei forte e deixei marca de batom em rostos que você não acreditaria se eu te contasse, apenas pela espontânea alegria de conhecê-las ou encontrá-las. E, pior, máximo dos máximos. Sempre tento limpar com a mão a marca nos rostos, que acabam perplexos com tanta intimidade. Quando eu me toco, já era! Já fiz. Sangue quente. Meio destravada e impulsiva. Esta sou eu. Muito prazer.
As pessoas andam muito tensas, não se tocam mais, ou se tocam muito pouco. Acabo sem querer assustando. Se forem daquelas que querem parecer o que não são, só pose, então, piora! Ficam parecendo que engoliram uma bengala inteira, empertigadas. Duras que nem um pau. No outro sentido.
É horrível. Quando eu me dou conta, já as atropelei. Chego a ficar sem graça, mas... Que fazer? Porque podem dizer o que quiserem, mas a minha espontaneidade ainda é a minha melhor defesa.
Transfira tudo isso agora para a vida mais do que real. Antes de atirar a primeira pedra! Que tal passar a avaliar o mundo pelo menos pela fresta da porta do banheiro? Se assim fosse, as buzinas só seriam tocadas em caso de necessidade. E funcionaria. As sirenes das ambulâncias (você já precisou estar em uma?) e da polícia só seriam ligadas em caso de necessidade. As palavras URGENTE e POR FAVOR seriam recuperadas e restauradas, igual ao São Jorge.
A análise política também pode ser feita sob esse ângulo. Ir-e-vir-dar-viajar-com-passagens é um detalhe. Perfumaria. Importante, mas detalhe. A questão central é mais embaixo. Não se distraiam. Perdoem rápido os que foram espontâneos, porque precisaremos deles para pôr ordem neste imenso galinheiro, que está alvoroçado e isso não é bom. Sem hipocrisia, porque senão não sobra um, mermão!
Assim é. Chorar leite derramado só te faz perder tempo em limpar o fogão antes de o leite secar, tornando a tarefa da limpeza mais difícil a cada segundo. Mãos à obra! Voltemos a valorizar a espontaneidade, que é gostoso. Os milhões e milhões de internautas que acessaram e choraram ao ouvir a feia Susan Boyle cantar talvez não tenham percebido a essência da coisa, a espontaneidade. Senão estaremos todos sendo enganados, feitos de bobos?
É muito mais difícil que alguém consiga enganar a muitos quando a espontaneidade está presente. O coração é quem decide, mas ele processa o que recebe dos olhos, do cérebro, da pele. Viramos todos um só coração quando juntos buscamos enxergar quem está com a verdade, quem é natural. Quem ainda vale a pena.
Quem se engana, pode ser enganado pela credulidade. Não porque seja ingênuo. Pode ainda estar do outro lado da porta. Do banheiro. Ou da festa. Dor de barriga todo mundo tem.
São Paulo, feriados mil no Brasil.
*
Marli Gonçalves, jornalista. Quanto mais feliz, acaba sendo mais espontânea, o que parece bom. Mas preciso que o mundo entenda isso, para ser mais bem compreendida, e não passar tanto aperto. Dedico esse texto a dois amigos, que sabem disso. Um já se acostumou comigo. O outro, mais recente, pelo menos não se assustou.
(artigo publicado no site www.brickmann.com.br - e-mails de Marli: marli@brickmann.com.br - marligo@uol.com.br - colheitadesentimentos@gmail.com)
Data: 23-04-2009 |
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O GORDO E A MAROLA
Depois de um longo e causticante verão e um outono já iniciado, o meu amigo mais conhecido como Gordo da Praça Tamandaré resolveu dar o ar da graça e me ligou no Domingo de Páscoa:
— Feliz Páscoa, prezado jornalista.
— Obrigado, Gordo. Saúde, felicidade e sabedoria para você.
— Espere aí. Você está insinuando alguma coisa?
— Insinuando?!!! Como assim?
— Está me desejando sabedoria. Por acaso você pensa que meu QI está lá embaixo?
— Jamais imaginaria isso, Gordo. Sabedoria é o que desejo para todos os meus amigos. É certo que a saúde vem em primeiro lugar, mas sabedoria é indispensável. Aliás, fique sabendo que eu até o acho inteligente.
— Precisava falar esse “até” aí? Você está me deixando com a pulga atrás da orelha.
— Pode tirá-la, meu amigo Gordo. Nunca esqueça que eu o estimo muito.
— Está bom. Vou deixar passar.
— Mudando de assunto, Gordo, o que você anda fazendo?
— Rapaz, essa marolinha do Lula me pegou de jeito. Nunca vi um sujeito mais imprevidente, mesmo com todas as informações diante dos próprios olhos, ele foi incapaz de deixar um alerta para a população. Agindo às avessas, sugeriu que o povo gastasse em vez de poupar. Parece que ele queria que os brasileiros fizessem o que o seu governo faz, ou seja, gastar muito mais em custeio do que em investimentos.
— Você está financeiramente apertado, Gordo?
— E quem é que não está? Eu, por exemplo, estou tão por baixo que já comecei a dar rasteira em cobra.
— Como é que é?
— Comecei a dar rasteira em cobra. Para compreender direito, imagine-se em pé, uma cobra ao seu lado e você tentando lhe dar uma rasteira.
— Um pouco difícil, Gordo.
— Um pouco?!!!! Impossível.
— Acredito que a crise para você, e para todos nós, será passageira, meu amigo.
— Tomara que sim. Já estou mexendo meus pauzinhos, diversificando minhas atividades e jogando menos conversa fora. Isto é, tempo integral dedicado ao trabalho.
— No que você faz muito bem. Conte-me em que está diversificando.
— Abri uma agência.
— Agência de propaganda?
— Não. Agência de empregos.
— Mas, Gordo, com tanto desemprego você vai logo abrir uma agência de empregos?
— Aí é que está o segredo. Com a agência, logo fico sabendo qual é a empresa que precisa de mão de obra (o autor desta transcrição abre parênteses para registrar seu protesto contra os linguistas da Academia Brasileira de Letras que retiraram os hífens de “mão de obra” e fecha parênteses) e aí vou indicando meus parentes, com a condição de me pagarem uma comissão mensal sobre seus salários.
— E os clientes? As pessoas que o procurarem atrás de uma colocação. O que fará com elas?
— Você já ouviu falar no Madoff.
— No Bernard Madoff, aquele sujeito então conhecido como grande financista que bolou uma pirâmide financeira nos Estados Unidos e quebrou meio mundo?
— Esse mesmo.
— E o que é que ele tem com seus clientes na agência de empregos?
— Leia o sobrenome do financista de trás para diante.
O papo acabou aí. Os leitores que me perdoem pela transcrição exata de minha conversa com o Gordo da Praça Tamandaré. Sua irreverência às vezes ultrapassa os limites do bom senso e da boa educação.
(ARTIGO PUBLICADO NO DIÁRIO DA MANHÃ, DE GOIÂNIA, EM 16.ABRIL.2009)
Data: 22-04-2009 |
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SPONHOLZ
Data: 22-04-2009 |
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SPONHOLZ
Data: 18-04-2009 |
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SPONHOLZ
Data: 14-04-2009 |
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ESSES 563 MIL SÃO OS CARAS
São consideradas classe média C as famílias com renda mensal entre R$ 1.100,00 e R$ 4.800,00. No mês de janeiro, 563.000 pessoas componentes desse grupo despencaram para as classes D e E, retornando à condição de baixa renda. Esse retorno ao passado pode ser bem maior, pois só foram analisadas pelo Centro de Pesquisa Social da Fundação Getúlio Vargas seis das regiões metropolitanas, que representam um quarto da população brasileira.
Parafraseando Barack Obama, esses 563.000 são os caras. Os de verdade. São os caras que sofrem as inconsequências da imprevisão do presidente Lula da Silva, ao avaliar o tsunami econômico como simples marola.
O que pensar sobre o futuro do trabalhador brasileiro quando se toma conhecimento de pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo apontando que duas em cada cinco indústrias paulistas pretendem demitir empregados nos próximos meses?
Os verdadeiros caras são e serão os sobreviventes da incompreensível bagunça decorrente da ausência de uma gestão voltada para os grandes problemas nacionais. Privilegiam-se as ações meramente político-eleitorais mescladas com jogadas de marketing que possam reconduzir a figura presidencial às alturas nas pesquisas e estabelecer visibilidade para a ministra Dilma Rousseff, deixando de lado os problemas – nas áreas de transporte, educação, saúde, etc. – que se sucedem ao longo destes últimos anos.
Os favores oficiais federais, disfarçados de programas sociais, já não exigem mais a reciprocidade do beneficiado. As bolsas disso, daquilo e de que mais quiserem passaram a ser mero instrumento para a conquista da simpatia do povão. E o voto.
Pobre Brasil e pobres brasileiros que tanto terão a cumprir para recuperar o tempo perdido e saldar os débitos que vierem a herdar. Uma crise econômica como esta que atravessamos sempre deixa suas cicatrizes. Cicatrizes que nem mesmo cirurgias plásticas – iguais a essas tantas que plastificam tantos rostos voltados para as urnas – são capazes de esconder ou disfarçar. Os atingidos por tais marcas, vítimas inocentes da avidez de uns tantos e incompetência de outros, olvidarão facilmente este período de tamanhas dificuldades? Particularmente, temo que sim, pois, como dizem, o brasileiro esquece fácil... e depressa.
Para promover externamente a imagem presidencial, o Brasil oferece emprestar dinheiro ao Fundo Monetário Internacional, enquanto prefeitos e até governadores garimpam recursos na Esplanada dos Ministérios ou, talvez, esplanada de incontáveis mistérios. Para promover internamente a imagem presidencial, o Planalto cria medidas de imPACto que não se concretizam e expõe em todos os cantos e para tantos quanto foram necessários, o presidente e sua pretensa sucessora. E eles despejam seus blá-blá-blás, como se um só de seus ouvintes fosse incapaz de compreender os absurdos de suas palavras e de suas promessas.
Essas idas malucas, sem vindas de prosperidade cansaram-me. Como devem ter cansado os brasileiros inconformados com o desprezo à verdade que nos têm imposto essa gente.
Pretender se eternizar no comando de um país que quer ser livre e verdadeiramente democrático é uma perigosa fantasia. E há quem lutará contra isto, ao lado desses 563.000 caras, além daqueles que, infelizmente, ainda se verão na rua da amargura do desemprego.
(ARTIGO PUBLICADO NO DIÁRIO DA MANHÃ, DE GOIÂNIA, EM 09.ABRIL.2009)
DE MARLI GONÇALVES
Amnésia
Marli Gonçalves*
Tenho medo de algumas coisas, entre elas a de esquecer tudo, quem sou e o que fiz - o que vivi. Mas ultimamente tenho visto gente louca para ter um ataque de amnésia: ou, melhor ainda: se fosse possível trocariam de personalidade de uma vez por todas.
Confesso que vivi. Mais do que lembrar Neruda, as múltiplas experiências acumuladas nessa vida são o que lhe dá graça, o que traça seu lugar na história, e o que nos faz acumular algum conhecimento. É preciso ser forte para encarar o passado, viver o presente e construir o Futuro. Rever os grandes amores; se possível for, até revivê-los. Entre quatro paredes, na frente de um espelho, apontar para si próprio e admitir que errou ali, aqui, mas acertou lá e naquela outra ocasião. Que decidiu certo, quando tomou esta ou aquela estrada, ou mesmo quando empacou no meio. Admitir que amou muito mais do que foi amado, que esperou recompensas que não vieram, mas que também não haviam sido prometidas. Lembrar, mesmo que esparsamente, quais eram as condições que eram dadas. Se seguiu um ídolo de barro. Por que atravessou o rio. Por que naquele dia disse não?
Estamos nesse momento. Seguindo religiões ou não, há o que se chama de momento adequado para reflexões. Quando a gente se enfia dentro de um ovo de Páscoa, atrás do bombom ou do brinquedo em seu interior, e vai quebrando aquelas casquinhas, até o fim. E depois sacode o papel do embrulho para comer as migalhinhas. Não é fácil, e chega a machucar - principalmente no capítulo "arrependimentos”. Arrepender-se de qualquer coisa é terrível. Porque não dá para voltar o tempo. Então, dá vontade de esquecer. Aleluia! Aleluia!
Só que em determinados casos, estou vendo pessoas não só querendo esquecer o que fizeram e viveram como querendo que a gente também esqueça, nem que seja na marra. Gente querendo mudar de personalidade, de cara, de história, cuspindo onde comeu e em quem comeu. Aí é estranho. Não é só amnésia, essa palavrinha bonitinha e possível. Pesquisei e descobri que chama amnésia psicogênica – quando existe o quadro de pantomima, na qual o "doente” afirma não se lembrar de certos acontecimentos para, no fundo, não se prejudicar.
Na política atual há diversos casos desses. Um deles, exemplar, é o de Dona Dilma Rousseff, a encarnada. Daqui a pouco vamos vê-la fazendo tricô e crochê, costurando um casaquinho, e posando para fotos especialmente iluminadas para lhe dar um ar cândido. Não sei como ainda não arrancou um neto da filha, o que lhe cairia bem, avozinha, na empreitada em que parece estar mesmo acreditando, e aí reside o perigo. Ela é ótima para ser construída, mas fácil, fácil de ser demolida. Outro dia, amigos, tentando tratar uma repórter como se fosse uma bolinha de gude, teve um super ataque de amnésia. Dinheiro? Cofre do Adhemar? Ação armada? Guerrilha? Treinamento de guerra? Sequestro de Delfim Netto? Não vi, não sei... Quem sou eu? Quem é que disse? Deve estar delirando... Não sei dos dois milhões de dólares. Dinheiro, que dinheiro? Armas? Não estava lá... Escreve aí: nego peremptoriamente...
Ela se irrita fácil. Ou melhor, máscaras caem fácil. Despencam. A cola desgruda. E eu não entendo porque querer negar sua própria história.
Outro dia, ainda, foi o pequeno Cristovam Buarque, o senador. O que foi e não foi e não foi, foi. E ficou balançando de um lado para outro. Propôs um plebiscito para acabar com o Congresso. Para acabar com ele, diga-se de passagem. "Era só uma ironia” , argumentou, depois que o mundo caiu em cima dele.
Tem outros que acham que tudo é possível. Alguém me disse, e eu estou rindo até agora, que o Palocci vai ser candidato ao Governo de São Paulo com discurso ambientalista. Precisamos, e rápido, apresentar a ele algumas espécies de plantas e umas baleias, embora ele goste mesmo é de sereias. E a Marta, com aquela sua aura simpática, se fazendo de xarope e anunciando que vai coordenar a campanha da outra. Fico imaginando as duas numa sala, discutindo a relação, que doces!Eu achava tão legal quando Marta ia à tevê, defendia a liberdade sexual, anal, genital, oral! Mas ela quer esquecer. Daqui a pouco a veremos com lenço de beata, recatada, na missa do padre Marcelo Rossi, entoando o Cântico dos Cânticos, cantando alegremente. De um lado, de mãos dadas com Dilmão. De outro, as mãos sem calos de Chalita, o Gabriel.
Nessas, antes que reclamem que só falo deles (Eu posso! Já fui um deles!), até o Fernando Henrique Cardoso andou falando em prol da descriminalização da maconha. Que coisa linda, moderna!!! Mas, engraçado, lembram quando o Gabeira, e era FHC o presidente, sugeriu que o cânhamo fosse utilizado de forma industrial, o que aconteceu com as sementinhas que ele havia trazido? Coitadinhas. Ficaram presas. E não se falou mais no assunto. Pobres sementinhas! Esqueçam o que escrevi, vá lá, que todo mundo pode melhorar.
O nosso Serra! Cadê aquele homem seguro de si, torcedor fanático de futebol (sim, senhor, a bola é redonda, e aquele negócio com rede é onde ela deve entrar; as cores do seu time são verde e branco), amante da boa vida, dos prazeres da mesa e da cama (aquele negócio que tem um colchão, em geral retangular, e que fica no quarto)? Vocês também o estão ouvindo assobiar a cada bobageira que sai do secretariado? Daqui a pouco em campanha, escuta só: ele vai começar até a contar piadas.
Assim por diante, podemos enumerar desde o antiamericanismo do "cara”, que agora só falta gozar quando vê o Obama, até a Igreja falando contra preservativos, contra sexo fora do casamento, contra a miséria, pelas criancinhas, mas não pelas molestadas pelo poder emanado nas sacristias desse mundão de Deus. Gente, Obama é ainda moleque, chegou ao poder um dia desses e ainda não esqueceu quem é, e espero que nem queira esquecer. Daí ele achar que o Lula é o cara, como achávamos durante muito tempo do Lech Walesa, o esquecido. Isso tudo não tem a menor importância fora do contexto – ninguém precisa fazer tanta elucubração a respeito. Aconteceu. Virou manchete.
Fatos &Fotos.
Hoje, ter amnésia é mais difícil do que já foi. Tem gente gravando conversa com caneta, gravando vídeos com botões, grampeando e vigiando até o último fio de cabelo. Posa de virgem casta e no outro dia aparece aquele vídeo forte, com a boca cheia. Nega que comeu a nega, e ela mostra o DNA, que a ciência também ajuda. Tem a história implacável, e o testemunho dos que viveram juntos outras aventuras.
Digo isso, tranquila, porque sei de gente assim, tenho de conviver diariamente com quem de dia é Maria e de noite João, ou vice-versa. Dizem que a praia dele não é aquela, da boca para fora; dizem que foram sem nunca ter ido, ou tentam dizer que tudo não passa de fofoca alheia, de despeito, intriga da oposição.
Ando de saco cheio de toda essa hipocrisia. Vamos parar? Malhemos os Judas!
São Paulo, meados do mês das reflexões, 2009
*Marli Gonçalves, jornalista. Cansou de ver como tem gente que pensa que você também bem que poderia ser vítima de amnésia e esquecer o que viu e ouviu. E o que viveu. E gente que acha que pode te deixar falando sozinho. Não pode não.
E-mails de Marli: marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br
Site de origem: www.brickmann.com.br
Data: 08-04-2009 |
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SPONHOLZ
Data: 03-04-2009 |
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SPONHOLZ
Data: 01-04-2009 |
Postado por JorgeTaleb | Categoria Geral
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SPONHOLZ
Data: 29-03-2009 |
Postado por JorgeTaleb | Categoria Geral
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SPONHOLZ
Data: 29-03-2009 |
Postado por JorgeTaleb | Categoria Geral
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TRÊS PODERES?
“Lula avisa Supremo que não vai extraditar Battisti”, foi a manchete de capa da edição do último dia 20 do jornal O Estado de S. Paulo. Lá na página A4 da mesma edição lia-se: “Lula quer manter Battisti no País, mas sem confrontar STF – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez chegar um recado ao Supremo Tribunal Federal (STF): se ficar em suas mãos a decisão final sobre o caso do ex-ativista político Cesare Battisti, condenado a prisão perpétua pela Justiça italiana, ele não o mandará de volta à Itália. Isso ocorrerá se o STF apenas autorizar a extradição de Battisti”. Continua a matéria dos jornalistas Felipe Recondo e Christiane Samarco: “Mas junto com o recado, encaminhado por emissários presidenciais, Lula deu a senha para evitar o confronto com o STF. Deixou claro que ficará de mãos atadas se o tribunal mudar sua jurisprudência e tornar obrigatório o cumprimento das decisões do Supremo nos processos de extradição. Hoje, o STF apenas autoriza a extradição, cabendo ao presidente da República viabilizá-la”.
O longo parágrafo acima se faz necessário para dar continuidade a este artigo, cujo autor anda um tanto preocupado com os percursos da carruagem planaltina nestes últimos tempos. Como se percebe, o “recado” presidencial não deixa de ser uma ingerência em outro Poder. Se consciente de seus direitos, o Palácio do Planalto não precisaria enviar aviso ao STF. Bastaria cumprir sua parte nessa história que já prejudica a imagem do Brasil nas cortes internacionais.
Nesta última terça-feira, contrariando o pensamento do Executivo (seria de Tarso Genro?) o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, expressou sua opinião: a decisão do Supremo sobre o caso Battisti será compulsória.
Tais fatos me levam a avaliar a atual condição das instituições brasileiras, em especial a dos dois outros Poderes da República, que não, é claro, o Executivo.
O Congresso Nacional é o foco número um para a desmoralização das instituições. Para a população, a generalização sobre o comportamento de congressistas colou. Mas, entre tantos pouco preocupados com a ética e a moral, há senadores e deputados sérios. Nem todos os parlamentares estão contaminados. Pergunta-se, portanto: 1) a quem interessa a desmoralização do Congresso?; 2) as incontáveis Medidas Provisórias enviadas pelo Executivo, perturbaram e perturbam ou não o andamento dos trabalhos no Senado e na Câmara? 3) não parece que a base de sustentação do governo, cujos partidos se enfrentam na disputa pelo mando, está mais preocupada com as conquistas para suas siglas do que com a afirmação da democracia? 4) não seria o desejo de mandar indefinidamente, à moda de Hugo Chávez, que provoca tamanha instabilidade?
O Executivo também já teve alguns atritos com o Judiciário, notadamente com o Supremo. E agora atira mais uma pedra, cujo nome é Cesare Battisti.
Com o Legislativo desmoralizado e o Judiciário provocado, qual será o destino da sociedade brasileira?
Entretanto, até nas entranhas do próprio Executivo há instituições que ainda atrapalham a perspectiva de mando sem contestação do atual governo federal: as agências reguladoras, cujas atuais responsabilidades são regulação, concessão de outorgas e fiscalização. Dois projetos que tramitam no Congresso (um deles trata da reestruturação do sistema de concorrência, que confere à Secretaria de Acompanhamento Econômico poderes para opinar sobre tarifas de telefonia, de eletricidade e de outros serviços públicos; o outro – um projeto de lei de 2004 originado no Executivo – retira das agências a atribuição de outorgar a exploração de serviços de utilidade pública).
Repito a pergunta e faço uma outra: qual será o destino da sociedade brasileira? Há quem tenha resposta a ela ou teremos de aguardar silenciosos para saber o que virá por aí nos próximos meses?
(ARTIGO PUBLICADO NO DIÁRIO DA MANHÃ, DE GOIÂNIA, EM 25.MARÇO.2009)
Data: 26-03-2009 |
Postado por JorgeTaleb | Categoria Artigos
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ACERTO
A competência de Sponholz mostrou a coincidência pouco ou nada observada por quase todo mundo entre o lançamento do programa presidencial de um milhão de casas e a operação Castelo de Areia desencadeada pela Polícia Federal (veja duas charges abaixo).
Data: 26-03-2009 |
Postado por JorgeTaleb | Categoria Geral
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CRÍTICA?
De um observador das cenas policiais brasileiras: "Certas operações da Polícia Federal estão sendo realizadas sem anestesia".
Data: 26-03-2009 |
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SPONHOLZ
Data: 26-03-2009 |
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SPONHOLZ
Data: 26-03-2009 |
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Sponholz e o milhão de casas
Data: 26-03-2009 |
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SPONHOLZ
Data: 25-03-2009 |
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SPONHOLZ
Data: 25-03-2009 |
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SPONHOLZ
Data: 24-03-2009 |
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